domingo, 9 de janeiro de 2011

Degeneration



A "nova" geração Y só quer saber de novidades. É caracterizada pela falta de fidelidade em relação às coisas e às pessoas (quase como se estivessem no mesmo nível). E essa ausência de fidelidade ainda não é a falta de "amor", não, mas a falta de novidades desse amor. É preciso que a coisa (ou a pessoa) ofereça cada vez mais, cada vez melhor, sem repetição. O tempo todo é preciso haver estímulos, excitações, surpresas; sem eles, ainda que haja "amor", a geração Y simplesmente enjoa.
Falta de fidelidade entendida aqui como falta de desejo de continuação, de degustação plena daquilo que nos estimula. A quantidade de informação e de possibilidades é tão absurda que chegamos a nos sentir aflitos em parar para vivenciar certas coisas em detrimento de outras. Aliás, já não se vivenciam mais as coisas, porque elas simplesmente não acontecem: elas apenas passam por nós.
E aí eu me pergunto: quão perto da sociedade do Admirável Mundo Novo não estaremos nós? Huxley descreve uma sociedade promíscua e sem família (todos nascem de laboratório), em que não podemos nos apegar às pessoas, simplesmente às coisas; uma sociedade em que a morte dos amigos mais presentes é festejada, e a menor insatisfação é combatida com uma droga - ninguém é obrigado a passar por dor ou privação alguma. Quantas metáforas temos aí da sociedade que vivemos hoje?
Exagero? Bom, na verdade, não tenho porque crer nisso. Afinal, essa geração Y é a nossa, que já estamos ficando para trás. Os adolescentes da segunda década do século XXI já são parte da geração Z. O que será que podemos esperar daqui para frente?


João Rodrigues

domingo, 2 de janeiro de 2011

A chama que se aprende a ver




Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender.
E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.



Nelson Mandela

domingo, 7 de novembro de 2010

Água e Palavra



Água cai do olho, cai do céu, na torneira, a boca pinga, pia
Água enche o olho mas não cai quando o coração desagua
Água não existe quando o coração de pedra fala
Medra meu medo, me mata só com palavras


A palavra vem no olho, sai da boca, no ouvido a fala
A palavra enche a boca d'água quando essa palavra cala
Qualquer coisa pode ser palavra, menos a palavra amor
O amor sem palavra


O amor deságua
Água e palavra
O amor deságua
Água e palavra




Neno Miranda

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Só de Sacanagem



Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.

Elisa Lucinda

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ouvi dizer

Tem dor que dói tanto...




























...que transforma.










João Rodrigues

sábado, 5 de junho de 2010

O último discurso


            Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
            Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
            O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
            A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
            Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
            Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
            É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
            Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin (em O Grande Ditador)

sábado, 22 de maio de 2010

La lumière et les yeux ouverts


Que dans ce moment-là, je voudrais être simple. Aussi simple qu'une voyelle, un numéro pair, une couleur primaire, un verre d'eau... alors, peut-être, finallement rien n'aurais plus de sens.

oJõa dsiuRoerg